Athur quer ser da Helisa


Talvez dê certo.

Helisa estava deitada na minha cama enquanto eu lia um livro, acho que ela cantarolava alguma coisa, não dei importância, o dia estava tedioso. Sabe um daqueles dias que nem amor você sente vontade de fazer? Esse era um. Ela me olhou, e eu sorri. Ela sussurrou – Acho que eu gosto de você. – Eu quis perguntar “Como assim acha? Eu tenho certeza Helisa.” Mas só balancei a cabeça, forcei um sorriso de lado e voltei a ler. – Talvez não. – Ela falou, agora parecendo que estava falando sozinha, eu a olhei e ela encarava o teto, passeando com os dedos sobre o estomago. – Ou só não saiba o que sinta. – Engoli seco, e tamborilei mudamente os dedos no colchão macio, estava ficando nervoso. – Ou saiba. – Não gostava quando Helisa resolvia refletir sobre a vida, soava muito babaca, confuso, e medíocre. Ela me olhou e eu continuava sem dizer nada. – Gosto de fazer amor contigo. – Ela afirmou. Voltei a ler. Estava cansado de suas filosofias baratas. Ela se rastejou pela minha cama até chegar com os lábios próximos dos meus e os colou, aquele gosto de bala de cereja invadiu minha boca. Como odeio cereja.
Por: Quézia Regina da Silva

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